segunda-feira, 31 de julho de 2017

São João del-Rei 2007-2017: Dez anos Capital Brasileira da Cultura



Há dez anos, em 2007, São João del-Rei recebeu um título de grande valor: "Capital Brasileira da Cultura". Mais do que uma simples homenagem, essa honraria foi a expressão nacional de reconhecimento da importância de nossa terra para a educação, as ciências, as artes - enfim para a cultura de nosso país.

No mesmo sentido, merecidamente, no ano seguinte, São João del-Rei se autodeclarou "Capital Brasileira da Cultura para Sempre" - uma iniciativa muito lúcida, pois o significado de uma história como a nossa 'não tem prazo de validade'!

Como Capital Brasileira da Cultura, durante todo o ano de 2007 nossa cidade sediou uma série de eventos que movimentaram ainda mais a vida cultural de São João del-Rei, que normalmente já é sempre muito intensa.

Em dezembro daquele ano, quando a cidade preparava-se para cumprimentar a nova cidade-irmã que também receberia "o título, a faixa, o cetro e a coroa", a Secretaria da Cultura de Minas Geras lançou uma edição especial de seu Suplemento, que teve na capa o detalhe de um dos sinos - que são a voz de São João del-Rei, e, no verso, um poema de Oswald de Andrade, chamado Convite. As palavras de um dos líderes do movimento modernista foram escritas em 1922 (portanto há 95 anos), durante uma viagem que os intelectuais e artistas fizeram a Minas Gerais e dizem o seguinte:

São João del-Rei
A fachada do Carmo
A igreja branca de São Francisco
Os morros
O Córrego do Lenheiro

Ide a São João del-Rei
De trem
Como os paulistas foram
A pé de ferro

A edição especial do Suplemento da Secretaria da Cultura de Minas Gerais tem artigos sobre a diversidade e as particularidades da riqueza cultural de São João del-Rei, na visão dos seguintes protagonistas culturais são-joanenses, por ordem de apresentação:

  • Adenor Simões, Lúcia Bortolo, Jota Dangelo, Ivan Velasco, Abgar Campos Tirado, Alberto Tibaji, Ulisses Passarelli, Lígia Vellasco, Antônio Carlos Guimarães, Salomé Viegas, André Dangelo, Vanessa Brasileiro, Carlos Magno de Araújo, Mário Krauss, Ana Maria Parsons, José Antônio Ávila Sacramento, Guilherme Rezende, Bartolomeu Campos de Queirós.
A publicação é ilustrada com fotografias da exposição então montada na Galeria do Teatro Leblon (RJ) de autoria de  

  • Emmanuel Pinheiro, Almir Nascimento, Antônio Celso Toko, Beni Jr., Cláudio Lopes, João Ramalho, Kátia Lombardi, Kiko Neto, Marcinho Lima, Nathanael Andrade, Photo 1000ton,  e Sebastião Machado Gomes (Jacó)

terça-feira, 4 de julho de 2017

Em São João del-Rei o come-quieto come melhor debaixo de seu próprio teto


A culinária de Minas tem lugar de destaque na cozinha brasileira. Dos saborosos e fartos pratos dominicais e festivos, capitaneados pelo lombo com tutu ou pelo feijão tropeiro, com arroz branco, couve e um enorme séquito de acompanhamentos,  onde se destacam o torresmo, a farofa, a maionese caseira, até o trivial feijão com arroz mais simples, feito à hora com verduras e legumes colhidos nos canteiros do quintal, que começa na porta da cozinha, e um ovo caipira frito, pego no ninho do galinheiro. Cachaça. Caipirinha de limão rosa ou de limão galego.Tudo que se come e se bebe na casa mineira é tão sagrado quanto foram o pão e o vinho na santa e última Ceia de Cristo com os apóstolos.

Talvez desse modo se explique o fato de, em sua terra, o mineiro nato não ser tão chegado a comer fora. O come-quieto sabe que o que há de melhor é o que ele come sob seu teto. Mas para ele, no rotineiro dia a dia, da porta da rua para fora, também tem pedaços do Paraíso; alguns espaços se salvam. São os bares simples, mais conhecidos como “copo sujo”, buteco ou botequim, onde se come petiscos caseiros, se bebe cachaça forte, pura ou com mel, e cerveja gelada em copo americano, muitas vezes em pé, no velho balcão.

Em São João del-Rei, salvo um ou outro, a maioria desses templos da corriqueira lambiscaria não fica no centro histórico e, por isso, em geral, não são vizinhos da barroco-oficial gastronomia. Suas pepitas de ouro são mesmo os torresmos crocantes; sua lascívia  escorre nas úmidas moelas ao molho de tomate, nas saborosas e escorregadias línguas, nas tenras carnes de panela, nos apimentados chouriços, linguiças, bifes de fígado e coraçãozinho de galinha – tudo para comer com pão ou angu molinho, fumegante e cheiroso, mexido na hora. Se a sorte for grande, se encontra até taioba rasgada refogada!

Onde ficam esses paraísos de perdição e felicidade em São João del-Rei? Ninguém diz, mas todo mundo sabe: no Céu, na Terra, em toda parte. É só dar um passo atrás, olhar em volta, descer do salto e apurar o faro. Certamente você vai encontrar uma porta aberta para o sublime e genuíno paladar do interior de Minas Gerais.

Existe até um “livreto”, chamado Entre Bares,no qual o mineiro muriaé-sanjoanense Beto Soldati e o francês-sanjoanense Pascal Servoz produziram um guia em que apresentam 7 botecos que são a alegria dos marmanjos e barbados de São João del-Rei. Com cardápio, estórias, histórias, avaliação e tudo...

Dizem que 7 é número de mentiroso, mas da palavra de Beto e de Pascal não se duvida. Por isso, tome um Engov antes, separe umas folhas de boldo e um Sonrisal para depois e vá conferir, nesta ordem, que é a do sumário do “libreto” Entre Bares:

1. Wilson’s Bar - Avenida 31 de março, 2.311 - Colônia do Marçal;
2. Rei do Tira Gosto - Rua Aureliano Pimentel, 146 - Fábricas;
3. Bar do Paulinho - Rua Fiscal José Pedro, 145 -    ;
4.  Penna’s Bar - Praça do Bonfim, 188 - Bonfim;
5. Tia Maria 2 - Praça da Biquinha, 1 168-A Biquinha/Tijuco;
6. Bar do Agostinho - Rua Alexandre Sbampato 27 / Praça Pedro Paulo - Matosinhos
7. Bar São Cristóvão - Rua Coronel Tamarindo, 210 - Rua do Barro / Centro.

Mas não faça isso de uma só vez. O risco é grande. Seja cauteloso e vá cada dia em um. No escolhido, jogue um gole pro santo no chão, atrás da porta e: Tim-tim! Saúde! Alegria! Boa Sorte!